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Fragrâncias – alguns acordes básicos – parte 1 – Creed e Grojsman

Apresento aqui alguns acordes básicos e muito utilizados em fragrâncias de perfumes. Provavelmente você os reconhecerá de alguns perfumes famosos atualmente.

Vou começar com os acordes Creed e Grojsman, que são acordes poderosos e utilizam poucos químicos aromáticos em sua composição.

As formulações são simples, apresentam as melhores proporções a que cheguei, mas você pode alterá-las de acordo com o seu nariz, o que eu recomendo a fim de aprendizado.

Você deve utilizá-los como a estrutura de uma criação – onde estes acordes representarão grande parte da composição, e suas características principais serão mantidas – utilizando outros produtos como óleos essenciais, outras bases ou acordes, químicos aromáticos, etc, afim de criar um produto novo.

Tenha os frasco com os acordes prontos para teste, são acordes fáceis de se trabalhar e que facilmente produzem resultados aceitáveis.

Creed Accord

Este tipo de acorde é comum em fragrâncias tipo Cool Water. Fiz experimentos com Melonal, Calone, Iso e Super, Galaxolide e alguns acordes “frutados” que tenho, e o resultado é sempre muito bom.

As principais notas olfativas deste acorde são dados pelos químicos aromáticos Dihidromircenol, Glicolato de Alil Amila e Ambroxan, e perceba que estes são, simultaneamente, as notas de topo, média e base: realmente é um acorde muito simples, e surpreende pelo poder que possui.

O Cedramber, Grisalva e Etil Maltol adicionei para melhorar o resultado final, mas sem eles o acorde continua poderoso. Você pode ignorá-los.

ACORDE CREED
Produto Partes %
TOTAL: 47 100,01
Dihydromyrcenol 20 42,55
Glicolato de Alil Amila 10 21,28
Ambroxan (ou Ambrox DL, ou Ambrox) 10 21,28
Cedramber 5 10,64
Grisalva 10% (m/m) 1 2,13
Etil Maltol 10% 1 2,13

Grojsman Accord

Este acorde leva o nome de sua criadora, Sophia Grojsman. Soma cerca de 80% da fragrância Trésor (Lancôme). Sophia Grojsman é também a autora da fragrância Eternity for Her. É difícil encontrar a proporção adequada de Iso E Super, e também do Hedione, são produtos que sempre queremos acrescentar mais. Talvez eu tenha utilizado muito Grisalva, talvez você queira um pouco de Ambroxan, ou talvez deseje uma quantidade diferente de Alfa Isometil Ionona: experimente!

ACORDE GROJSMAN
Produto Partes %
TOTAL: 55 100
Galaxolide 10 18,18
Iso E Super 10 18,18
Hedione 10 18,18
Alfa Isometil Ionona 10 18,18
Grisalva 10% (m/m) 15 27,27

Por enquanto é só, em breve publico mais 2 acordes.

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Entendendo e Preparando Soluções

O estudo das notas olfativas, sejam elas simples moléculas isoladas, ou destilado de uma resina como no caso do gálbano, ou uma base como a Dorinia SA, ou um acorde, deve ser realizado com o produto dissolvido na concentração adequada para que se perceba adequadamente as características que o produto pode oferecer a uma composição.

Cheirar um produto concentrado vai cansar o receptor olfativo muito rápido, além de causar uma falsa impressão odorífica. Se você já cheirou benzoato de metila ou acetophenona puros, por exemplo, entende bem o que estou falando. Você vai perceber um odor irritante e até agressivo, mas se dissolvê-los a 1% (ou menos) terá a impressão correta destas notas.

Produtos que não se encontram líquidos à temperatura ambiente criam um cenário ainda pior, pois além de não apresentar o odor característico do meio final (solução alcoólica, no caso de um perfume), ainda irá contaminar seu nariz com pequenas partículas, muitas vezes contribuindo para uma anosmia (perca temporária de olfato) mais longa.

Aliás, autores como Robert R. Calkin (PerfumeryPractice and Principles) aconselham proceder assim – com o uso de soluções nas concentrações adequadas.

Todo produto utilizado na criação de fragrâncias possui uma concentração adequada para ser cheirado e combinado em experimentos, e quando o assunto é fragrância o meio mais adequado é o alcoólico, pois este evapora rapidamente sem deixar vestígios, e permite esparramar o produto em determinada área da fita olfativa de forma uniforme. Mas tome cuidado ao aspirar a fita olfativa, talvez você não perceba, mas o etanol inalado vai atrapalhar a experiência e pode danificar seus receptores olfativos, mesmo que momentaneamente, portanto aguarde a completa evaporação do solvente. Outros solventes como o DPG são utilizados quando o objetivo é estudar sabores, mas isso não tem a ver com o objetivo deste blog. Também se utiliza o DPG e outros solventes de alta persistência para diluir produtos de alto poder odorífico ou produtos de altíssima viscosidade, como o Galaxolide.

É importante manter os frascos contendo as soluções sempre bem fechados, tampando-os imediatamente após alimentar a fita olfativa ou acrescentá-lo à composição. Como o etanol evapora facilmente, com o uso a concentração da solução pode aumentar caso você não seja cuidadoso.

A indústria utiliza produtos puros* e no caso de alguns produtos de grande intensidade odorífica que aparecem em traços em uma fórmula, são utilizados soluções m/m (massa soluto/massa solvente) para facilitar a pesagem (é mais fácil e preciso pesar 1Kg de solução 10% de acetofenona para assim obter 100g do mesmo), explicando: uma solução 10% m/m significa que a cada 100 gramas do produto, 10 gramas será de soluto e 90 gramas será de solvente. Isso é importante na indústria pois as fórmulas sempre são preparadas pesando-se os ingredientes. No caso destas soluções de produto de grande poder odorífico, e como já dito, é importante utilizar um solvente que não evapore facilmente.

Há também o caso de produtos que são difíceis de trabalhar devido a alta viscosidade, como o Galaxolide e o (iso)muscone, e que por isso normalmente é comercializado a 50% (m/m) em dietil ftalato** (no Brasil, em outros países utiliza-se outros solvente como o DPG*** e o MIP****).

Na indústria é mais fácil e eficiente pesar os ingredientes de uma fórmula, devido a forma com que se trabalha, em grandes quantidades. Mas para estudar e realizar experimento, é interessante trabalhar com soluções massa soluto/volume solução. Perceba que estamos lidando com quantidades bem pequenas dos produtos. Isto – trabalhar com soluções massa soluto/volume solução – te garante algumas vantagens, como:

  1. Você pode converter gotas pra unidade que precisar, pois este tipo de solução apresenta uma relação entre volume e massa. Por exemplo, uma gota (ou parte) em uma fórmula pode representar em linha de produção uma grama, um kilo, 70 gramas, e por aí vai. É muito mais fácil anotar quantas gotas de um produto utilizou em uma fórmula de teste do que quantas gramas foi utilizado. Imagina ter que pesar um a um todos os produtos que está testando em uma fórmula. Seria impossível.
  2. A fórmula pode ser testada durante todo o processo de criação.
  3. Durante o seu desenvolvimento, o produto terá as características do produto final.

Perceba que, por exemplo, para cada mL de um produto a 10% m/v você terá uma grama do soluto, 50 mL corresponde a 5 gramas, e por aí vai…

O solvente

Com exceção de alguns poucos produtos que são pouco solúveis em etanol, como o almíscar cetona, você utilizará o álcool de cereais, que nada mais é que o etanol com um grau de pureza maior e uma quantidade maior de água. É perfeito para o que precisamos. Para dissolver o almíscar cetona utilize o dietil ftalato ou benzoato de benzila. Recomendo o dietil ftalado, pois o benzoato de benzila embora de odor fraco, é bem notado em um acorde e isso pode ser um problema. Voltando ao etanol (álcool de cereais) recomendo dissolver 1 grama de BHT por litro de etanol antes de utilizá-lo no preparo de soluções. Isto é importante para aumentar o tempo de vida de suas soluções e acordes que venha preparar com elas. BTH é um antioxidante amplamente utilizado em cosméticos e alimentos.

Em algumas cromatografias você notará a presença de triclosan, uma agente bacteriostático mas, pensando bem, muitas substâncias utilizadas na fórmula de uma fragrância possuem propriedades anti-bacterianas, como o álcool feniletílico e fenoxietanol. O álcool feniletílico por exemplo é utilizado em formulações de spray nasal como agente bacteriostático. Note que a presença de triclosan e similares em formulações de fragrâncias é muito raro, e considero desnecessário. O próprio etanol já é um grande problema para a maioria das bactérias.

O soluto

O soluto nada mais é que o produto que você irá preparar, dissolver no solvente.

O produto que será dissolvido deve ter o peso conhecido, para assim saber a quantidade de solvente a ser acrescentado – no caso de soluções m/m -, ou o volume até à qual será completado o sistema – no caso de soluções m/v.

Preparando a solução

Para soluções m/v, que é o que nos interessa, você pode preparar a solução à partir de produto puro, uma solução m/m, ou uma solução m/v. Antes de preparar a solução é importante saber qual dos 3 tipos de soluto você estará utilizando. Neste site os produtos podem aparecer em mais de uma das três formas, o que é informado quando se escolhe o produto. No frasco dos produtos também se encontra esta informação, e caso ausente, considere que o produto é puro. Você ainda encontra neste site soluções já prontas na concentração adequada para se estudar então – salvo em condições muito específicas – você não precisará diluí-las. As soluções prontas são fornecidas em frascos de plástico de 20mL, onde informa a concentração.

1. Solução m/v à partir de soluto puro.

Adicione o conteúdo do recipiente contendo 5 gramas do produto (soluto) à proveta de 50mL e complete o volume da proveta com o solvente até a marca dos 50mL, dissolvendo completamente o soluto. Durante o processo de adicionar o solvente, vá “lavando” o interior do frasco com o solvente puro e dispensando-o na proveta, até que o frasco encontre-se totalmente limpo.

2. Solução m/v à partir de solução m/m.

Este é o caso, por exemplo, do galaxolide:

O processo é igual ao anterior, mas estando à 50%m/m, 5 gramas vai fornecer 2,5 gramas de galaxolide, então, o volume da solução deve ser completado até 25mL (e não 50) para se obter uma solução à 10% m/v, que é a concentração adequada para ensaios com este produto.

3. Solução m/v à partir de solução m/v.

Nestes casos, ao invés do soluto ser considerado por peso, será considerado por volume. Para fazer 50mL de uma solução à 1%m/v por exemplo, coloque 5mL da solução 10% m/v do produto em uma proveta de 50mL, e complete com solvente até a marca dos 50mL.

Notas:

-> Armazene suas soluções em vidro âmbar e evite expor ao sol, luz e calor.

-> procure utilizar um solvente (etanol) com BHT (1 gramas por litro de álcool). Prefira o álcool de cereais, pois possui o odor mais suave e não deixa resíduo.

 
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Criando uma fragrância de perfume na prática!

Sem dúvida alguma, embora concluir a fórmula de um acorde ou uma base seja um momento mágico, concluir a fórmula de uma fragrância ou perfume que as pessoas gostem é indescritível. Nada paga o sorriso de alguém, após cheirar uma fita olfativo com uma criação sua! A novidade do odor criado, a boa impressão causada, a expectativa (e por que não possibilidade de sucesso?), e todo o mais são únicos.

Faz tempo que venho pensando em escrever este artigo, pretendia escrever algo do tipo mais pra frente, mas enfim, a ansiedade me venceu. Criei uma fórmula simples pra que você que acompanha este blog possa entender o raciocínio da criação de uma fragrância, embora seja algo que considero muito “particular”.

Como os dias estão quentes, pensei em algo baseado no Calone e Helional, algo água(“watery“). Criei dois acordes: um de notas mais fixativas, de maior duração, e outro com notas “médias”, de média duração. Em uma fórmula completa, procuro utilizar acordes amadeirados, almíscares (sem notas animálicas uma fragrância não pode ser considerada um perfume, na minha opinião. Mais pra frente falo sobre isso), e um acorde ou base que contenha notas altas, de topo. Além de Galaxolide e Hedione (procure utilizá-los, ou sua fórmula corre um sério risco de parecer artigo de museu…). Para as notas amadeiradas vou usar o acorde final criado no artigo “Criando um acorde na prática“.

Os acordes foram criados utilizando o processo descrito no artigo citado (“Criando um acorde na prática”), portanto este processo não vou explicar aqui, mas farei alguns comentários. Procurei me manter em apenas 3 notas/produtos por acorde, de substantividades próximas.

Primeiro acorde: notas bases, de maior persistência.

partesprodutosubstantividadepressão de vapor (VP) @ 25C
60Calone @ 10% (m/v)600 horas0,001
33Iso E Super (IES)172 horas0,001
1Frambinone400 horas0,001
Acorde número 1

Este acorde é baseado no Iso E Super e Calone, mas você pode basear um acorde em um óleo essencial, ou um outro acorde ou até mesmo em uma base. 33 partes de IES é bem mais que 1 de Frambinone, como eu cheguei a esta proporção tão rápido? Experiência: eu já sei que quando for lidar com Calone e/ou Frambinone eles vão facilmente dominar o acorde, e que terei que usar bem pouco deles caso suas características não sejam as principais que quero no acorde. O Frambinone dá uma “lapidada” no Calone, ambos possuem notas frutadas.

Você deve estar se perguntando também: “onde 172 horas é próximo de 600 horas?”. Bem 172 horas é bastante tempo, então posso assumir que o acorde manterá suas características por tempo suficiente até o próximo banho… Bom, não foi a combinação ideal com relação à substantividade dos produtos envolvidos, mas eu queria usar o Iso e Super e ele combinado com os outros dois do acorde caíram bem.

Outra coisa importante, é que a substantividade não diz quanto tempo um produto dura na pele, e sim quanto tempo pode durar em uma fita olfativa. A pele é quente, úmida, exposta a pressão e vento, etc. Mas a substantividade dá uma pista sobre uma nota durar mais que a outra.

Você deve ter percebido que o valor de pressão de vapor (VP) são iguais neste primeiro acorde. Espero que esta informação não comprometa a sua criatividade e experimentação, pois isto não é uma regra nem uma verdade, mas substâncias de pressão de vapor próximos “podem” ser boas combinações para um acorde. Usei produtos de igual VP para fins didáticos, não tenha isso por regra, substâncias de diferentes VP podem ser boas combinações também, mas na maioria das vezes elas vão possuir VP próximos.

O segundo acorde é baseado no Helional. Combinei com Floralozone porque, se você conhece o Floralozone vai entender… Floralozone é uma onda de água doce arrebentando na areia.

Segundo acorde: notas médias, de coração, de média persistência.

50Helional640,003
13Alfa Damascone @ 10% (m/v)660,008
1Floralozone800,008
Acorde número 2

Ainda faltam algumas notas, como madeiras. Vamos utilizar o acorde do artigo previamente citado, e este será o Acorde número 3.

Falta notas altas, vamos utilizar uma base de demonstração da IFF – o acorde 1316 – para termos um produto “masculino”, pois este é bem “couro” (leather) e alguma base “floral” (floral) para a versão “feminina”, que pode ser a Base de Rosa publicada neste blog. Mas claro, você pode criar as bases/acordes se quiser, e eu até recomendo isto.

Acorde demonstração 1316 (IFF)

PartesProduto
37DPG
37Galaxolide
10Trimofix O
10Gama Terpineno
5Bergamota
3Liffarome 10%
3Isobutil Quinoleína 10%
4Vertoliff 10% *
2Geraldeído 10% *
Acorde demonstração 1316 (IFF)

Neste acorde da IFF, troque o Vertoliff e o Geraldeído por 3 galbano resinóide 10% + 1 ciclogalbanato + 2 empetal, caso não os encontre.

Sugestão para montar o produto final, o perfume finalizado:

ProdutoPartesVersão MasculinaVersão Feminina
Acorde número 133
Acorde número 211
Acorde número 311
Hedione11
Galaxolide11
Acorde 1316 (IFF)1
Base Rosa Damascena1

Algumas notas:

  1. As proporções do produto final é sugestão, você pode alterá-las.
  2. Você não precisa ter todos os produtos para montar os acordes, mas os produtos principais são essenciais. No acorde da IFF, não pode faltar o Isobutil Quinoleína. Você também pode substituir os que faltam, mas não recomendo pra quem está iniciando.
  3. Use soluções m/v, sempre dividindo por 10, por exemplo: 10 partes de Hedione viram 10 partes de Hedione 10%(m/v). 10 partes de Alfa Damascone 10% viram 10 partes de Alfa Damascone 1%. Desta forma o produto final e os acordes que for montando já estarão na concentração adequada para cheirar em uma fita olfativa e até mesmo para sua utilização caso tenha gostado.
  4. Só testei a versão “masculina” – falta me tempo – você pode testar qualquer outro acorde floral e terá uma versão “for her”.
  5. Perceba que a soma dos acordes e notas de maior substantividade é maior que as notas/acordes de média substantividade. As notas/acordes de média substantividade aparecem em maior quantidade que as notas de topo/alta/cabeça. Se não respeitar isso, seu perfume não terá duração.
  6. Os acordes aqui apresentados e os que você criar também fazem parte de seu dicionário olfativo e podem ser utilizados em outras formulações de fragrâncias e perfumes. E normalmente o perfumista o faz, possuir bons acordes é um excelente atalho para suas novas criações. Com o tempo você vai perceber similaridades em alguns perfumes de grife, principalmente se forem da mesma casa, ex Guerlain: compartilham acordes entre si.

Uma boa dica para evoluir esta fragrância na direção aquosa/marinha, é a adição de um acorde dominado por salicilatos (salicilato de benzila, salicilato de cis-3 hexenila, etc).

Espero que tenham gostado e tenha elucidado mais um pouco do processo de criação de perfumes e fragrâncias. Qualquer dúvida, sugestão, elogio ou crítica, comentem abaixo.

Abraços!

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Criando um acorde na prática

Um acorde é nada mais que uma combinação simples de duas ou mais notas. Diferente de seu parente próximo, a base, um acorde não apresenta a complexidade olfativa, e pretende ser algo bastante elementar. A combinação de duas notas, por exemplo bourgeonal e lemonile, nas proporções adequadas (8/1), é um acorde. Não possui necessariamente notas de base, médias e de topo. Nem necessariamente tem as características procuradas em um produto final, como projeção, fixação, etc. São os blocos elementares da construção de uma base ou ainda mais adiante, de um perfume final, e fornecem à fórmula uma “característica”. Cheire os dois ingrediente citados acima separadamente. Depois misture-os na proporção indicada, deixe descansar em uma fita olfativa e após o álcool evaporar completamente (caso utilize soluções alcoólicas, o que eu recomendo) e compare o odor com os componentes utilizados: um novo cheiro foi criado, e tem características próprias.

Vou expor aqui o processo de criação de um acorde que criei recentemente. Na verdade são dois acordes, que em seguida combinei e obtive um terceiro acorde. É importante ter em mente que as notas e proporções foram orientadas pelo meu nariz, e caso você refaça o processo, possivelmente vai preferir outras proporções ou talvez até outras notas: é tudo intuição! E isso é legal, a individualidade criativa de cada nariz.

Costumo experimentar combinações de duas notas em fitas olfativas, e nestes dias foi a vez do acetatos de guaiaco (CAS #61789-17-1), o óleo essencial de guaiaco acetilado. Embora contenha muito acetato de guaiacol (CAS #613-70-7) em sua composição – de 19 à 25% de acetato de guaiacol, e 27 à 35% de acetato de bulnesila * – , não é o éster isolado. Neste processo pode ser utilizado o acetato de guaiaco mesmo (duvido que você encontre), pois é ele a nota que importa. Ainda, pode utilizar o óleo essencial de guaiaco também. Se quiser, pode experimentar com todos estes e ver qual fica melhor!

Dica importante: procure escolher notas com susbstantividade (tempo de duração do odor) próximas. Um acorde de uma substância de baixa substantividade como o linalol por exemplo, combinado com uma substância de alta substantividade, vai perder completamente suas características assim que o primeiro evaporar!

A fita contendo uma gota da solução a 10% de acetatos de guaiaco foi sendo cheirada com a aproximação de diversas outras fitas contendo outras notas, e a que mais me chamou a atenção foi a fita contendo uma gota de salicilato de benzila 10%. Novamente: criar acordes é um trabalho intuitivo! Vou repetir isso muitas vezes…

Bom, o primeiro passo foi dado: acetato de guaiacol combina bem com salicilato de benzila (intuição…). Mas deve haver uma proporção “ótima” para esta combinação…

Este passo gosto de fazer com um “bolo” de papel absorvente. Enrolo ele em forma de tufos, e em cada tufo coloco os dois produtos que quero investigar as diferentes proporções juntos: um tufo contém 1 gota de acetatos de guaiaco + 3 de salicilato de benzila, outro tufo contém 2 gotas de cada, outro tufo contém 3 gotas de salicilato de benzila e 1 gota de acetatos de guaiaco. E por aí vai. É um trabalho de paciência também, faça com calma, deixe o nariz descansar entre um teste e outro. Pode levar alguns dias, mas enfim, cheguei à proporção que achei mais adequada: 3 de salicilato de benzila e 1 de acetatos de guaiaco. Está assim criado o primeiro acorde.

Continuando… percebi também que acetatos de guaiaco combina bem com acetato de vetiverol (você pode usar óleo essencial de vetiver aqui), então, parti para construir um simples acorde com este químico aromático, e repeti o processo descrito acima. Dos diversos produtos que testei, a melhor combinação que encontrei foi com isomuscone, na proporção de 2/3.

Tenho em mãos agora 2 acordes. Posso ou não combiná-los e criar um terceiro acorde, acetatos de guaiaco combina bem com acetato de vetiverol, e descobri que a proporção mais adequada (para o meu nariz!!!!) é 1/1.

Neste próximo ensaio, preparei os diversos tufos de papel absorvente, mas agora utilizando os 2 acordes recém criados. E a proporção mais adequada foi 8 gotas do primeiro acorde (acetatos de guaiaco + salicilato de benzila) e 5 gotas do segundo acorde (acetato de vetiverol e isomuscone). Percebeu que a proporção entre acetatos de guaiaco e acetato de vetiverol final da mistura é a mesma que eu havia percebido entre os dois produtos isolados? Coincidência. Ou não. Como disse, é intuitivo. Importante: quando estou cheirando os testes, não tenho ciência das proporções, não olho a anotação e procuro fazer de olhos fechados procurando não identificar os produtos originais. Concentração é muito importante, então, quando estiver cheirando desligue-se de tudo e procure apenas o prazer que o odor pode proporcionar ao nariz, independente do que ele contenha, e escolha a combinação que mais te agrada.

Resumindo as fórmulas:

Acorde “A”
PRODUTOQUANTIDADE
Acetatos de Guaiaco1
Salicilato de Benzila3
Acorde “A”
Acorde “B”
PRODUTOQUANTIDADE
Acetato de Vetiverol2
Isomuscone3
Acorde “B”

Acorde “C”
PRODUTOQUANTIDADE
Acorde “A”8
Acorde “B”5
Acorde “C”

Pronto, você já tem 3 acordes “amadeirados” para utilizar nas suas criações!

Não tem muita regra envolvida, é mais intuição (e um pouco de sorte às vezes) do que ciência. É importante para o perfumista conhecer um bom número de notas e a forma com que elas combinam entre si: isto vai colaborar para a sua criatividade, abrindo a mente para novas possibilidades de combinações. É importante conhecer o máximo de características de cada produto de seu dicionário olfativo, e isso só se consegue estudando (cheirando) diariamente, por um longo período (anos e anos…).

Experimente combinar estes acordes com outras notas: químicos aromáticos, óleos essenciais, bases comerciais ou não, sintéticos, etc.

E é isso.

  • https://www.alpacasa.com/archivo/webingles/acetate.pdf
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Criação de perfumes e fragrâncias: parte 2 – um mundo de odores

O que se entende por fragrância, ou perfume ou, mais rudemente “cheiro”, é o resultado da impressão dos receptores olfativos. Cada molécula em uma composição vai se ligar aos receptores de olfato com a qual tem afinidade, despertar lembranças e instintos, assim influenciando em nossa percepção à respeito de algo: um produto, uma pessoa, uma roupa, um momento, etc. É como um instrumento sendo tocado e reproduzindo as notas que corresponde à cada tecla.

Você já se perguntou porque sente “asco” ao sentir um cheiro “desagradável”? Certos cheiros causam repulsa, talvez por serem associados (lembrança) à situação de perigo: você evita alimentos com cheiro “ruim”. Voltando no tempo, a combinação de certas moléculas em certas proporções poderia significar a possibilidade de chuva, ou proximidade com um ambiente úmido (água, tão essencial para a sobrevivência), ou ainda a presença de um predador ou caça. Quando digo “lembrança” me refiro a dois tipos de lembranças: aquelas que você herdou nos genes de seus ancestrais (e aprimorou) e que foram importantes para o sucesso de sua espécie, e aquelas que foram adquiridas no decorrer de sua existência (estas acredito eu serem muito poucas).

Vou me aprofundar aqui em uma molécula especial: a geosmina. Sabe-se que o receptor olfativo do ser humano não é muito desenvolvido em relação à outras espécies. Nos tornamos eretos (animais que tem o receptor olfativo muito acima do solo costumam ter olfato ruim), e confiamos muito na visão. Um cão pode ter o olfato milhares de vezes mais sensível à certos odores que o ser humano. Um cão reage mais viva e prontamente à um odor que o ser humano, percebe a presença de seu “dono” ou “líder” à distância, e é capaz de refazer uma rota pela trilha de odores. Fantástico!

O que há de especial na geosmina é que ela é uma das poucas moléculas que o ser humano percebe de forma excepcional, em quantidades muito ínfimas. Uma solução de geosmina à 0,001% é capaz de ser percebida à distância! Curiosamente, certas moléculas animálicas como o indol possuem o cheiro bastante acentuado para nosso nariz, e normalmente são cheiradas à 1% ou menos. Algumas moléculas que participam do cheiro de certas frutas também. Mas mesmo estas não podem ser comparadas às geosmina, a “molécula da chuva”.

A geosmina é produzida no solo pela bactéria Streptomyces coelicolor. É uma molécula muito difusiva, ou seja, “esparrama” pelo meio (ar úmido) muito facilmente. Quando chove, é agitada do solo e lançada ao ar. É o famoso “cheiro de chuva”. A geosmina também é produzida na água em ambientes rico em material orgânico, e isso é fantástico, pois pode indicar água e ainda mais: água com outros alimentos! Consegue imaginar o quanto esta molécula foi importante para o êxito de sua espécie? Talvez tenha sido o mais importante e eficiente indicador de onde ir para sobreviver. E talvez, por tudo isso, o ser humano tenha uma excepcional capacidade de perceber essa molécula.

Bom, é nisso que acredito, mas o que quero com tudo isso é que quem leia entenda que a percepção de odores tem relação direta com lembranças e experiências, ancestrais ou não e pode provocar uma resposta muito forte (já viu alguém gastar um salário mínimo ou mais em um perfume?). Compreender isso vai te ajudar no processo criativo. Veja que todo cheiro vai encontrar no seu inconsciente uma ou várias associações. Por exemplo, você sente o cheiro de “roupa limpa” e, um exemplo mais abstrato ainda, você sente o cheiro de “novidade” ao abrir uma caixa. Ou sente o cheiro de morango em um alimento artificial (cheire um morango de verdade pra entender o quão absurdo isto é…). Tudo isso foi dispertado por uma combinação de moléculas. Odores e sabores são intimamente relacionados, mas não quero me extender muito, então ficamos por aqui.

Até a próxima.

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Criação de perfumes e fragrâncias: parte 1 – o dicionário olfativo

Perfume Organ

Não me considero um grande perfumista, mas tenho sido capaz de criar e copiar fragrâncias de perfumes, e tenho tido êxito com mais frequência ultimamente. Tenho alguns acordes bem originais também, embora a maioria se perca em minhas anotações ou fiquem em frascos de vidro em algum canto de meu laboratório, esperando meu interesse voltar as atenções para ele.

Quando jovem costumava me perguntar como um perfume é feito, como se cria um “cheiro” novo. Era fascinado pelo mundo da química (ainda sou) e compreender como a magia de um perfume se materializava em um líquido era uma necessidade, que devido à dificuldade em se obter informação naquela época tornou-se uma obsessão sem respostas. Com o advento da internet tudo se tornaria mais claro e fácil, isso anos mais tarde.

Como muitos dos adolescente de minha época, muitas vezes me impressionei com o impacto de um novo perfume e tentava compreender o motivo de tal fascínio por algo tão etéreo, pois vestir um perfume caro te diferenciava. Naquela época o mercado de fragrâncias não era tão diverso e saturado como nos dias de hoje, e fragrâncias novas que causam a surpresa da “novidade nasal” custavam muito caro, e até que algum produto similar (se não o mesmo, sob outro nome) surgisse levava anos.

Três perfumes ficaram muito bem gravados em minha memória: Safari for men de Ralph Lauren, Eternity feminino de Calvin Klein e Sr. N da Boticário. Este último como uma lembrança enjoativa e insuportável – quem conheceu, sabe bem o que estou falando. Imaginar o que poderia estar por trás da fórmula do líquido contido nestes frascos de vidro (com exceção do insuportável Sr. N, apresentado em um recipiente de plástico) se tornou uma obsessão até os trinta e poucos, quando finalmente eu encontrei uma forma de iniciar meu envolvimento com os mundo dos cheiros: uma loja que vendia químicos aromáticos em um website. Levou algum tempo ainda, antes que eu obtivesse meus primeiros químicos aromáticos, pois algumas questões bem básicas precisavam ser respondidas.

O que comprar? Quanto comprar? Como começar a compreender as misturas, como “estudar” cheiros? Quantos materiais devo ter? Hoje pode parecer simples e fácil obter a resposta, mas anos atrás era bem diferente. Finalmente, certo dia, encontrei o que procurava, que li e reli diversas vezes, e que me norteia até hoje: “A Method of Creation”, de Jean Carles. Se você quer aprender sobre fragrâncias, deve ler sobre Jean Carles. Ele foi um tipo de Beethoven dos perfumes. É o criador de clássicos imortais como Miss Dior, Carven Ma Griffe, Dana Tabu e Schiaparelli Shocking. Miss Dior foi criado quando seu autor estava praticamente anósmico, diferente de Beethoven, que ficou surdo. Esta obra é facilmente encontrada para download na internet, é de domínio público, mas para facilitar aqui está: A Method of Creation – Jean Carles.

Finalmente fiz meu primeiro pedido, minha primeira compra, no dia 13/06/2014. Não me lembro exatamente quais produtos comprei, mas lembro que eram cinco moléculas de químicos aromáticos, entre elas acetato de benzila e verdox (acetato verde) e outros acetatos. 100mL cada!!! Rapidamente percebi o quão absurdo era tal quantidade para quem não tem uma linhade produção, e irá apenas cheirar em gotas de solução a no máximo 10%. Ingenuamente, quis começar tendo todos os acetatos… Os tenho até hoje! Estão guardados no frasco original como lembrança.

Isto marca o primeiro passo, que é construir o seu dicionário olfativo. O perfumista deve conhecer muito bem todas as notas que possuir, e procurar aumentar a cada dia, em nível de quantidade e profundidade, as notas olfativas que conhece. Além das moléculas de químicos aromáticos, existem também as notas naturais: óleos essenciais, resinas, absolutos, etc. Algumas bases, como Dorinia SA, também são importantes e devem ser estudadas (cheiradas, misturadas, etc), como não sou um profissional e sim um curioso (faço tudo por hobby mesmo) prefiro trabalhar com minhas próprias bases, que crio e normalmente não concluo porque já me senti satisfeito por quase ter criado uma base! Costumo dar as características finais quando as utilizo. É como compor uma música e concluí-la de forma diferente em cada apresentação, de acordo com o clima do momento.

Uma forma de se estudar as notas e que venho realizando durante todos estes anos é cheirar, todos os dias, 1 ou 2 notas. Quando é uma nota nova, que estou cheirando pela primeira vez, cheiro somente ela por todo o dia, durante 1 ou 2 dias. Quando são notas que eu já cheirei anteriormente e portanto já conheço, cheiro duas por dia, alternando entre uma e outra. Tenho frascos de 10 e 20mL com as soluções preparadas, então quando inicia o dia preparo 1 ou 2 fitas olfativas que vão me acompanhar durante o dia todo. É importante procurar perceber as características olfativas de cada nota. Quando tiver cheirado umas 100 notas já vai ser capaz de perceber certas notas em produtos como perfumes, sabonetes, desinfetantes, etc, e até estará “arriscando” alguns acordes.

Então se você quer iniciar nesta arte (sim, arte, com um pouco de ciência), movido pelo desejo de criar um perfume novo e exclusivo, ou quer copiar alguma fragrância que acha interessante, o inicio de tudo é esse, cheirar e conhecer o maior número de cheiros que puder. Tudo isso será o seu dicionário olfativo, as letras que compões suas palavras (acordes?), que por sua vez fazem parte de seu texto (produto final?). Um perfumista nunca para de cheirar, há notas que eu já cheirei por diversas vezes, por todos esses anos, e ainda não conheço bem, e às vezes me surpreendo com alguma característica que não havia notado antes.

Meu conselho pra começar, as primeiras notas para se ter contato:

  1. Musgo de Carvalho (10%)
  2. Óleo essencial de Vetiver (Brasil, Haiti, qualquer um) (10%)
  3. Óleo essencial de cedro da Virgínia (10%)
  4. Ambrox, Ambrox DL ou Ambroxan (10%)
  5. Galaxolide (10%)
  6. Iso E Super (10%)
  7. Hedione (10%)
  8. Óleo essencial de Gerânio (África ou qualquer outro) (10%)
  9. alfa Ionona (10%)
  10. alfa Damascone (1%)
  11. Óleo essencial de laranja doce (10%)
  12. Óleo essencial de bergamota (10%)
  13. Óleo essencial de Ylang-Ylang (10%)
  14. Óleo essencial de alecrim (10%)
  15. Óleo essencial de eucaliptus globulus (10%)
  16. Óleo essencial de cipreste (10%)
  17. Óleo essencial de tomilho (10%)
  18. Óleo essencial de bálsamo do Perú (10%)
  19. Linalol (10%)
  20. Citronelol (10%)
  21. Geraniol (10%)
  22. Alcool feniletílico (10%

Você pode simplesmente comprar as soluções prontas com o solvente que desejar e as fitas olfativas e sair por aí cheirando e alimentando seu dicionário olfativo, ou montar um laboratório com provetas, balança semianalítica, pipetas, frascos de vidro, etc, e sua vida vai ficar um pouco mais complicada… E não se esqueça dos 0,15% de BHT (um antioxidante).

  • Atenção:

Se você prefere preparar as soluções ao invés de adquiri-las prontas, saiba que o Galaxolide líquido que normalmente se encontra à venda é na verdade uma solução 50% em dietilftalato (DEP), massa por massa (m/m). O Galaxolide puro é extremamente viscoso, difícil de manipular e raramente é vendido nesta forma. Para preparar a solução à 10%, complete o volume até 5 vezes. Por exemplo, para 10 gramas de Galaxolide 50, complete o volume até 50mL com o solvente que deseja, normalmente etanol ou dipropileno-glicol. Eu, particularmente, prefiro usar o etanol como solvente, pois este é mais adequado quando o assunto é fragrância.

Todos os outros produtos devem ser preparados em soluções massa por volume. Para uma solução 10% de linalol, por exemplo, pesa-se 10 gramas de linalol e completa-se o volume até 100mL com solvente. Prefiro etanol, mas tem que tomar cuidado pra evitar a evaporação do produto no frasco. Nunca cheire a fita olfativa antes do álcool evaporar completamente, pois isso prejudica o sentido do olfato.

O conhecimento de notas compõe o dicionário olfativo do perfumista. Quanto maior e completo, maior a capacidade do perfumista de compreender cheiros e criar acordes.

Assim que a inspiração vier escrevo a próxima parte desta série, vou falar sobre acordes simples.

Até lá!

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Como armazenar aldeídos alifáticos saturados?

função aldeído

Aldeídos alifáticos saturados são aqueles que as pessoas entendem por aldeído, quando falando no contexto de um perfume.

São eles:

Existem muitos outros aldeídos utilizados em fragrâncias, mas eles não possuem as mesmas características especiais para fins de armazenamento que os alifáticos saturados.

Todos os aldeídos alifáticos saturados devem ser diluídos em um alcool primário tão logo você os adquira – em meio alcoólico eles formam hemi-acetais (hemi-acetals) que possuem odor semelhante ao aldeído do qual ele se formou, mas são muito mais estáveis (in solution).

Se você mantê-los puro eles tendem a oxidar para os ácidos correspondentes, com odor desagradável, ou polimerizar em trímeros (trimers), que não possuem odor. A presença de algum ácido – incluindo os que são produto da oxidação – irá acelerar significamente a produção de trímeros. Os trímeros continuarão a ser formados mesmo a baixas temperaturas – aparentemente até mais rápido – então você deve manter seus aldeídos alifáticos à temperatura ambiente até que você os tenha diluído em álcool.

Você saberá que seus aldeídos trimerizaram pois, além de cheiro estar mais fraco do que deveria, eles se tornam mais viscosos e eventualmente se solidificam à temperatura ambiente, já que o trímero possui um ponto de fusão muito mais alto.

Adicionar BHT ou outro antioxidante pode ajudar com ambos os problemas, embora não os elimine completamente. Também existem evidências de que se mantém melhor em recipientes de alumínio do que em recipientes de vidro.

Fonte: http://pellwall-perfumes.blogspot.com/2013/02/aldehydes-identification-and-storage.html

Tópico de fórum discutindo o assunto: http://www.basenotes.net/threads/363276-storage-of-quot-other-quot-aldehydes

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Teor de Etanol em Solução Aquosa (mistura água+etanol)

ethanol-water

A concentração/teor de etanol em uma mistura de etanol com água pode ser determinado pela densidade deste sistema. A tabela abaixo considera a densidade da mistura a 20oC.

Densidade (g/cm3) % etanol por peso % etanol por volume
0,9982000
0,9981311,3
0,9962922,5
0,9945133,8
0,9927945,0
0,9911356,2
0,9895567,5
0,9880278,7
0,98653810,0
0,98505911,2
0,983611012,4
0,982211113,6
0,980841214,8
0,979481316,1
0,978161417,3
0,976871518,5
0,975601619,7
0,974311720,9
0,973011822,1
0,971691923,3
0,970362024,5
0,969012125,7
0,967632226,9
0,966242328,1
0,964832429,2
0,963392530,4
0,961902631,6
0,960372732,7
0,958802833,9
0,957172935,1
0,955513036,2
0,953813137,4
0,952073238,5
0,950283339,6
0,948473440,7
0,946623541,9
0,944733643,0
0,942813744,1
0,940863845,2
0,938863946,3
0,936844047,4
0,934794148,43
0,932724249,51
0,930624350,6
0,928494451,6
0,926364552,6
0,924214653,7
0,922044754,7
0,919864855,8
0,917664956,8
0,915465057,8
0,913225158,8
0,910975259,8
0,908725360,8
0,906455461,8
0,904185562,8
0,901915663,8
0,899625764,8
0,897335865,8
0,895025966,8
0,892716067,7
0,890406168,6
0,888076269,6
0,885746370,5
0,883396471,5
0,881046572,4
0,878696673,3
0,876326774,2
0,873966875,1
0,871586976,0
0,869207076,9
0,866807177,8
0,864407278,6
0,862007379,5
0,859587480,4
0,857167581,2
0,854737682,1
0,852307783,0
0,849857883,8
0,847407984,6
0,844948085,4
0,842458186,2
0,839978287,1
0,837478387,9
0,834968488,7
0,832428589,5
0,829878690,2
0,827298791,0
0,824698891,8
0,822078992,5
0,819429093,2
0,816749194,0
0,814019294,7
0,811279395,4
0,808489496,1
0,805679596,7
0,802809697,4
0,799889798,1
0,796889898,7
0,793839999,3
0,79074100100,0

* Esta tabela é original da obra de Merck “Tabellen für das Labor”.